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Como
mencionamos na seção 5.5, existem cristais cujos índices
de refração se modificam face à aplicação
de um campo elétrico. Quando esta variação for
diretamente proporcional ao campo elétrico, teremos o conhecido
efeito Pockels, que é utilizado na modulação
eletro-óptica da luz, tanto em frequência (seção
5.5), como em intensidade. Este efeito aparece em cristais anisotrópicos,
que são caracterizados por um elipsóide de índices
de refração escrito como:
No
caso em que nx = ny
nz temos um cristal uniaxial, cujo
eixo de simetria (z) é chamado de eixo óptico (e.g.
KDP, quartzo, etc.). O índice de refração para
a luz polarizada nesta direção é denominado de
extraordinário (ne), enquanto
que para a luz com polarização nas direções
x e y tem-se o índice de refração ordinário
(n0). Esta anisotropia dá
origem aos fenômenos de birrefringência discutidos na
seção 6.4. Além desta anisotropia natural, certos
cristais uniaxiais podem ter uma anisotropia extra induzida pela aplicação
do campo elétrico externo, sendo que este pode ser aplicado
na direção de propagação da luz (efeito
Pockels longitudinal) ou perpendicular a ela (efeito Pockels transversal).
Consideremos o caso em que a luz se propaga ao longo do eixo óptico
(z), de forma que as componentes x e y da onda eletromagnética
estão ambas sujeitas ao mesmo índice de refração
(n0). Vamos supor que um campo elétrico
estático, V/l, é aplicado longitudinalmente ao cristal,
onde V é a voltagem e l é o comprimento da amostra.
Nestes casos, as componentes x e y da onda estarão sujeitas
a índices de refrações rápido (nr) e lento (nl) dados
por:
onde
r é uma componente de um tensor eletro-óptico, que dá
a resposta do meio em resposta à aplicação do
campo elétrico. Vemos então a aparição
de uma birrefringência induzida pelo campo elétrico,
efeito este que pode ser usado para chaveamento eletro-óptico
da luz, como veremos na seção 6.14.
Sergio Carlos Zilio
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