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Os
lasers, principalmente os dos tipos diodo e corante, têm sua
estabilização em frequência bastante perturbada
pela realimentação de luz devido à reflexões
parasitas nas superfícies dos elementos ópticos que
compõem uma determinada montagem experimental. Para evitar-se
este tipo de problema é necessário um diodo óptico,
ou isolador óptico, que permite a passagem de luz do laser
para o experimento, mas impede a passagem no sentido inverso. Este
isolador é baseado no efeito Faraday, que descrevemos na seção
anterior.
Considere, como mostra a Fig. 6.27, um meio que quando sujeito a um
campo
roda o plano de polarização da luz de 450. Na entrada do sistema existe um polarizador P1,
com eixo de transmissão paralelo ao eixo y e na saída
um polarizador P2, com eixo de transmissão
na direção
.
A luz proveniente do laser passa pelo polarizador P1,
roda 450 no sentido horário
e passa por P2. A luz refletida pelos
componentes ópticos (retornando ao laser) passa por P2, roda 450 no sentido
anti-horário (pois vê o sentido de
invertido)
e é bloqueada pelo polarizador P1,
sendo assim impedida de retornar ao laser.

Fig. 6.27 - Esquema de um isolador óptico baseado no efeito
Faraday.
Devido
ao fato da constante de Verdet variar com o comprimento de onda, a
isolação óptica apresentada acima funciona apenas
para luz monocromática. Para um dado l, seleciona-se o valor de B que produz a rotação
de 450; para outro l
devemos tomar um valor diferente de B para compensar a dependência
da constante de Verdet com o comprimento de onda ou trabalhar com
o polarizador P2 numa outra orientação.
Neste último caso teremos perda de intensidade da luz na direção
reversa.
Para finalizar esta seção devemos mencionar que é
possível se construir um isolador óptico com uma lâmina
de quarto de onda ou rombo de Fresnel. Imagine que a luz passe por
um polarizador P e por uma lâmina l/4 de maneira a se tornar circularmente polarizada. Quando
ela retorna, após reflexão nos componentes ópticos
do sistema experimental, passa novamente pela lâmina l/4.
Esta dupla passagem pela placa retardadora faz com que seu efeito
seja o de uma lâmina de meia onda, rodando o plano de polarização
da luz de 900, que é finalmente
barrada pelo polarizador P. A desvantagem deste método é
que durante as reflexões nos componentes ópticos, a
polarização circular pode ser afetada, tornando-se elíptica
e o efeito total da dupla passagem pela placa retardadora não
é exatamente o de uma lâmina l/2.
Já no caso do diodo óptico com efeito Faraday, o efeito
das reflexões sobre a polarização não
é relevante pois o polarizador P2
re-polariza a luz que volta ao diodo.
A isolação é usualmente medida em dB, de acordo
com a expressão:
onde
Iv e Ii são respectivamente
as intensidades de luz que passa e que incide sobre o diodo no sentido
em que ele bloqueia . Assim, uma isolação de -40 dB
significa que se incidirmos luz na direção reversa do
diodo, apenas 0,01% desta luz passará por ele.
Sergio Carlos Zilio
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