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Em meios ópticos isotrópicos tais como líquidos
e cristais de simetria cúbica, o efeito Pockels não
existe. Entretanto, para campos elétricos intensos pode existir
uma birrefringência induzida pelo alinhamento das moléculas
do meio. A substância neste caso comporta-se opticamente como
se fosse um cristal uniaxial no qual o campo elétrico define
o eixo óptico. Este efeito foi descoberto em 1875 por J. Kerr
e é chamado de efeito Kerr. A magnitude da birrefringência
induzida é proporcional ao quadrado do campo elétrico,
de acordo com:
onde
K é a constante de Kerr, l é
o comprimento de onda da luz no vácuo,
é o índice de refração na direção
do campo elétrico estático aplicado sobre a amostra e
é o índice perpendicular a ele.
O efeito Kerr é utilizado em moduladores de luz ultra-rápidos,
conhecidos como células Kerr. Este dispositivo, mostrado na
Fig. 6.28, consiste de dois condutores paralelos imersos num líquido
com constante de Kerr elevada (nitrobenzeno, por exemplo). A cela
contendo o líquido é colocada entre dois polarizadores
cruzados, que fazem ângulos de aproximadamente 450
com a direção do campo elétrico aplicado. Na
presença do campo , a birrefringência induzida no líquido
permite a passagem de luz pelo polarizador de saída. Para uma
certa voltagem, Vl/2, a cela se comporta
como uma lâmina de meia onda e o conjunto se torna transparente
à luz incidente sobre ele (exceto pelas reflexões nos
polarizadores e nas janelas da cela).

Fig. 6.28 - Esboço de uma cela de Kerr usada como modulador eletro-óptico
de luz.
O efeito Cotton-Mouton é o análogo magnético
do efeito Kerr e é atribuido ao alinhamento das moléculas
de um líquido devido à presença de um campo magnético.
A grandeza deste efeito é proporcional ao quadrado do campo
magnético aplicado, similarmente ao que ocorre no efeito Kerr.
Sergio Carlos Zilio
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