|

A observação da aberração estelar não
poderia ser explicada pela postulação de um éter
em repouso com relação à Terra. Os resultados
obtidos por Michelson e Morley eram contrários a esta possibilidade
e a explicação de Fitzgerald-Lorentz não era
convincente. Poder-se-ia admitir o caráter corpuscular da luz
e o efeito da aberração estaria explicado. Entretanto,
a teoria ondulatória já estava bem estabelecida e praticamente
não foi questionada. Como explicar então o fenômeno
da aberração estelar?
No início do século XX, em 1900, Jules Henri Poincaré
(1854-1912), baseado no experimento de Michelson e Morley questiona
a necessidade da existência do éter. Porém, apenas
em 1905, quando Albert Einstein (1879-1955) introduziu a teoria da
relatividade restrita, foi possível a explicação
da aberração estelar sem a necessidade de se postular
a existência do éter. Como veremos no Cap. 5, com dois
postulados simples, as transformações de Lorentz, e
o uso do produto escalar de quadrivetores, é fácil obter-se
os efeitos Doppler longitudinal e transversal, bem como explicar os
fenômeno de aberração estelar e da velocidade
de arraste de Fizeau. Com isto chega-se à conclusão
que a onda eletromagnética existe por si só, sem a necessidade
de um meio para se propagar.
Em 1905, Einstein também realizou seu famoso trabalho sobre
o efeito fotoelétrico, que lhe rendeu o prêmio Nobel
de 1921. O desenvolvimento da relatividade restrita havia dispensado
a necessidade do éter e favorecia o conceito ondulatório
da luz. Paradoxalmente, no efeito fotoelétrico admitia-se a
natureza corpuscular da luz, a mesma defendida por Newton. Atualmente,
diz-se que a luz tem uma natureza dual porque, devido aos trabalhos
de quantização do campo de radiação eletromagnética,
mencionados na próxima seção, concluiu-se que
as ondas eletromagnéticas são constituídas por
partículas relativísticas, chamadas fótons. Portanto,
certos fenômenos como interferência, podem ser descritos
considerando-se o caráter ondulatório, e outros fenômenos,
como o efeito fotoelétrico, considerando-se o caráter
de partícula.
Sergio Carlos Zilio
|
|