|

Na segunda metade do século XVII, descobertas interessantes foram
realizadas e novos conceitos foram introduzidos. O fenômeno
de difração foi descoberto por Francesco Maria Grimaldi
(1618-1663), através da observação de bandas
de luz na sombra de um bastão iluminado por uma pequena fonte.
Em seguida, Robert Hooke (1635-1703) refez os experimentos de Grimaldi
sobre difração e observou padrões coloridos de
interferência em filmes finos. Ele concluiu, corretamente, que
o fenômeno observado devia-se à interação
entre a luz refletida nas duas superfícies do filme, e propôs
que a luz originava-se de um movimento ondulatório rápido
no meio, propagando-se a uma velocidade muito grande. Surgiam assim,
as primeiras idéias da teoria ondulatória, ligadas às
observações de difração e interferência,
que eram conhecidas no caso das ondas sobre uma superfície
de águas calmas.
Contribuições relevantes para a óptica foram
feitas por Isaac Newton (1642-1727). Ele realizou experimentos de
dispersão num prisma em 1665, o que levou-o à conclusão
sobre a composição espectral da luz branca. Também
introduziu a teoria corpuscular que afirmava que "a luz é composta
de corpos muito pequenos, emitidos por substâncias brilhantes".
Esta sua afirmação foi certamente baseada no fato de
que raios de luz se propagam em linhas retas num meio homogêneo
e daí a analogia com o movimento retilíneo que uma partícula
descreve quando não existe força agindo sobre ela. Esta
teoria corpuscular explicava, por exemplo, a formação
de sombras, de imagens geradas por uma lente, etc.. Nesta época
Newton aceitava as duas teorias, tanto a corpuscular como a ondulatória.
A dispersão de luz por um prisma era explicada por ele com
sendo devida à excitação de ondas no meio, por
corpúsculos de luz; cada cor correspondia a um modo normal
de vibração, sendo que a sensação de vermelho
correspondia às vibrações mais longas, enquanto
que o violeta, às mais curtas. Com o passar do tempo, Newton
inclinou-se para a teoria corpuscular, provavelmente devido à
dificuldade de se explicar a propagação retilínea
da luz através de ondas que se estendiam em todas as direções.
Newton também introduziu o telescópio por reflexão
em 1668, para contornar os problemas de aberração cromática
existentes nos telescópios por refração. Ele
acreditava que estas aberrações presentes nas lentes
jamais poderiam ser evitadas, o que provou-se não ser verdade
com a introdução do dubleto acromático no século
XVIII.
Christiaan Huygens (1629-1695), que era contemporâneo de Newton,
inclinava-se para a interpretação ondulatória
da natureza da luz. Esta concepção explicava certos
fenômenos, como por exemplo, a interferência e a difração
dos raios de luz. Ele estendeu a teoria ondulatória com a introdução
do conceito das ondas secundárias (princípio de Huygens),
com as quais deduziu as leis da reflexão e refração.
Fez ainda várias outras contribuições importantes,
como por exemplo, estabe-lecendo que a velocidade de propagação
da luz variava inversamente com uma propriedade do material, denominada
índice de refração (v
1/n). A dupla refração da calcita também foi
descoberta por ele.
Independente da natureza corpuscular ou ondulatória da luz,
um dado importante a ser obtido era sua velocidade de propagação.
Muitos acreditavam que ela se propagava instantaneamente, com velocidade
infinita. Porém, em 1676, Dane Ole Christensen Römer (1644-1710)
sugeriu a medida da velocidade da luz pela verificação
do intervalo entre eclipses da lua Io, de Júpiter, que se move
praticamente no mesmo plano que este planeta se move em torno do Sol.
A realização destas medidas, com base no princípio
mostrado na Fig. 1.2, demonstrou que embora muito grande, a velocidade
da luz é finita. Observando-se o diâmetro aparente de
Júpiter, era possível saber como a distância deste
à Terra, r(t), mudava com o tempo. Como o intervalo entre duas
eclipses consecutivas variava com o tempo, associou-se esta variação
à velocidade de propagação finita da luz, de
acordo com
,
de onde obteve-se c
2.3x108 m/s.
Ao final do século XVII, ambas teorias (corpuscular e ondulatória)
eram aceitas. Durante o século XVIII acabou prevalecendo a
teoria corpuscular, principalmente devido ao grande peso científico
de Newton, que havia optado por esta. Não houve grandes avanços
da óptica naquele século, exceto pela construção
do dubleto acromático em 1758, por John Dollond (1706-1761).

Fig. 1.2 - Medida da velocidade da luz realizada por Römer.As linhas pontilhadas
definem o ângulo de visão de Júpiter por um observador
na Terra.
Sergio Carlos Zilio
|
|