
No tratamento detalhado
da difração é usual distinguir-se dois casos
gerais conhecidos como difração de Fraunhofer e Fresnel.
Qualitativamente falando, a difração de Fraunhofer ocorre
quando as ondas incidente e difratada são planas. Este é
o caso quando as distâncias r1 e r2 são
tão grandes que a curvatura da frente de onda pode ser desprezada,
como mostra a Fig. 9.8(a). Por outro lado, se a fonte e o ponto de
observação estão suficientemente próximos
da abertura temos então difração de Fresnel (Fig.
9.8(b)).

(a) Fraunhofer (b) Fresnel
Fig. 9.8 - Tipos
de difração.
O arranjo experimental para se observar difração de
Fraunhofer está mostrado na Fig. 9.9. Em particular, vamos
analisar o caso da difração pela fenda estreita mostrada
na Fig. 9.10. O campo elétrico no ponto P será dado
por:
onde r1 e r2 são respectivamente as distâncias
de S e P ao elemento de área dA. Levando-se em conta que os
pontos S e P estão infinitamente afastados, de forma que r1
e r2 não variam muito ao fazer-se a integração
sobre A, podemos escrever:
Fig. 9.9 - Arranjo
para observar difração de Fraunhofer.

Fig. 9.10 - Fenda
estreita (L >> b).

pois dA = Ldy. Uma segunda aproximação a ser feita é
considerar r1 constante sobre A. Além disto,
,
logo:

Esta última integral é fácil de ser calculada
e nos leva a:
Fazendo
,
temos:

O padrão de difração I(P) está mostrado
na Fig. 9.11. O máximo central ocorre para
(
)
enquanto que os mínimos localizam-se em
,
onde n é um inteiro. I(P) terá máximos relativos
para
,
etc. que são raízes de
.

Fig. 9.11 - Padrão de difração para uma
fenda estreita.
Consideremos apenas a franja central para deduzir uma expressão
para o ângulo no qual a luz se espalha. Para este fim vamos
considerar a Fig. 9.12. Como os primeiros mínimos ocorrem para
e
,
temos:


Fig. 9.12 - Ângulo
de abertura da franja central.
Fazendo a aproximação de pequenos ângulos ( ),
na qual sen
,
obtemos:
Esta expressão é bastante adequada para se observar
a analogia entre a óptica ondulatória e a mecânica
quântica. Nesta, um dos princípios fundamentais é
o da incerteza (de Heisenberg) que estabelece para uma dimensão:
Para o problema de difração que estamos tratando,
pode ser identificado com a largura da fenda, b, enquanto que
é a incerteza no momentum do fóton, cujo valor é
,
como demonstrado por de Broglie. Olhando para a Fig. 9.13, que é
derivada da Fig. 9.13, vemos que a incerteza no momentum do fóton
é
.
Assim,
que reproduz a eq.
,
demonstrando a analogia entre a óptica ondulatória e
a mecânica quântica.

Fig. 9.13 - Ângulo
de abertura da franja central.
No caso de uma fenda retangular, com os lados a e b da mesma ordem
de grandeza, teremos:
onde
.
Deixaremos a demonstração desta expressão como
exercício.
Sergio Carlos Zilio
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