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Como
vimos no capítulo anterior, a onda eletromagnética é
caracterizada por uma fase que possui dependência nas coordenadas
espaciais e temporal, f = f( ,t). Esta grandeza é a característica mais importante
da onda eletromagnética já que define a direção
de propagação, através do gradiente da função
eikonal (vide Cap. 2), a frequência e também sua velocidade
de propagação. No presente capítulo vamos concentrar
nossa atenção nos aspectos ligados à frequência
e velocidade da onda, e como proceder para transmitir informações
através dela.
De acordo com o exposto no Cap. 4, as coordenadas espaciais e temporal
das fases das ondas analisadas estão separadas em dois termos,
da forma
- wt. Entretanto, pode acontecer o caso em que estas coordenadas
estão misturadas, e um exemplo disto é quando o índice
de refração depende do tempo. Como k é proporcional
a n, a fase passa a ser f(r,t) =
- wt, que é conhecida como fase generalizada. A frequência
da onda estará então associada à variação
temporal da fase generalizada, tópico que veremos com mais
detalhes quando tratarmos da modulação eletro-óptica
e varredura de frequência. Por enquanto, vamos concentrar nossa
atenção na velocidade de propagação da
onda. Começaremos por dizer que quando se deseja transmitir
sinais, é impossível fazê-lo através de
uma onda de frequência única (monocromática),
porque os detetores existentes medem a intensidade do sinal e não
a fase. Para tal fim, devemos modular a onda, como explicado a seguir.
Vamos considerar duas ondas planas monocromáticas, de frequências
w + Dw e w - Dw, propagando-se ao
longo da direção z, com os correspondentes vetores de
onda k + Dk e k - Dk.
Aplicando o princípio da superposição introduzido
por Young, temos:
Através
de uma manipulação matemática simples desta equação
chegamos a:
Como
usualmente feito nos livros de eletromagnetismo, tomamos apenas a
parte real desta expressão, o que nos leva a:
Isto
nos dá uma onda de frequência modulada por outra, de
frequência , como mostra a Fig. 5.1.

Fig. 5.1 - Modulação da amplitude da onda.
De
acordo com a equação anterior, vemos que a onda portadora,
de frequência maior, tem a forma cos(kz-wt) e a modulação é dada por cos(Dkz-Dwt).
Vamos concentrar nossa atenção nos pontos A e B, que
são respectivamente máximos da modulação
e da onda portadora, e determinar as velocidades com que estes pontos
se propagam. Estes máximos satisfazem as condições:
Ponto
A:
Ponto
B: |
Dkz - Dwt= 2pm
kz
- wt = 2pn
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onde
m e n são inteiros. Diferenciando z com relação
a t nas expressões acima obtemos:
que
são respectivamente as velocidade da modulação
e da onda portadora. A velocidade da onda portadora leva o nome de
velocidade de fase e a da modulação o de velocidade
de grupo. Neste caso em que temos duas ondas monocromáticas,
o espectro de frequências é composto por duas "funções
delta". Para o caso de um "pacote" ou grupo de ondas cujo espectro
de frequências é uma função caixa, como
mostra a Fig. 5.2, teremos que somar (integrar) todas as componentes
de frequências para encontrar a expressão do campo elétrico
como fizemos para as duas ondas monocromáticas na eq. (5.1).
Assim,

Fig. 5.2 - Espectro de frequências tipo caixa.
Para
efetuar esta integração devemos levar em conta que pode
haver dispersão do pacote, isto é, k pode ser uma função
w de como veremos quando tratarmos a interação
entre a luz e a matéria no Cap. 11. Vamos então expandir
k em torno de w0,
de acordo com:
Desprezando
termos de ordens superiores à linear em temos:
Fazendo
a substituição W = w - w0 obtemos:
O
primeiro termo desta expressão representa a onda portadora
e o segundo é a função forma ou modulação
que passaremos a chamar g(z,t). Assim,
onde
.
A Fig. 5.3 mostra o pacote de ondas obtido através das equações
(5.9) e (5.10).

Fig. 5.3 - Pacote de ondas correspondente ao espectro de frequências
tipo caixa.
O
valor máximo do pacote de ondas ocorre quando f = 0, ou seja, quando
z = t. A velocidade com que o pacote se
propaga, que é a já conhecida velocidade de grupo, é:
Se
houvéssemos tomado o termo de ordem quadrática na expansão
de k, obteríamos a dispersão do pacote, isto é,
ele mudaria de forma ao se propagar. O conhecimento de como um pacote
se dispersa é de muita importância nas telecomunicações,
em particular, quando se pretende transmitir uma sequência de
pulsos curtos numa fibra óptica. Se a taxa de repetição
for alta, os pulsos estarão muito próximos e poderão
se superpor, produzindo confusão na informação
que está sendo transmitida. Deixaremos a análise da
dispersão de um pulso como exercício, mas vamos mencionar
aqui que esta dispersão da velocidade de grupo pode ser cancelada
por um efeito não linear de terceira ordem chamado varredura
de frequência. Isto dá origem ao sóliton temporal
que veremos na seção 5.6.
Além da dispersão devido à variação
do índice de refração com a frequência,
que acabamos de ver, existe um outro tipo de dispersão nas
fibras ópticas, chamada de dispersão modal. Cada um
dos modos transversais mostrados na Fig. 4.9 possui uma velocidade
de propagação diferente. Se o pulso de luz constituir-se
de uma soma destes modos, cada um deles caminhará com velocidade
diferente, acarretando no alargamento do pulso. Para evitar esta complicação,
costuma-se usar para as comunicações ópticas
fibras mono-modos que permitem a propagação apenas do
modo TEM00.
Sergio Carlos Zilio
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