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Para
entendermos a propagação de uma onda e outros aspectos
físicos relacionados à luz vamos inicialmente rever
algumas idéias ligadas ao conceito de onda. Começaremos
analisando uma onda mecânica, que é uma perturbação
que caminha num meio material. Um exemplo bastante conhecido é
o de uma corda estirada no chão sobre a qual se exerce um rápido
puxão para cima. Sabemos que se forma um pulso nesta corda
e que ele caminha (ou propaga-se) ao longo dela. Esta situação
corresponde ao caso de propagação em uma dimensão
(direção), ilustrado na Fig. 4.1. Outro exemplo de onda
mecânica é o caso de uma pedra que cai na superfície
absolutamente calma de um lago. Ao tocar na água, a pedra provoca
um movimento do líquido, na forma de um círculo que
aumenta radialmente. Neste caso, temos uma onda que se propaga em
duas dimensões, sobre o plano definido pela superfície
do lago. Estes são exemplos de perturbações que
podem ser caracterizados como movimentos ondulatórios chamados
pulsos.

Fig. 4.1 - Ilustração
de um pulso propagando-se numa corda.
Uma
pergunta pertinente seria: podemos descrever este efeito matematicamente?
A resposta é obviamente sim e a equação que descreve
a propagação da onda, bem como sua solução,
já eram conhecidas desde o século XVIII. Se estivermos
tratando com ondas unidimensionais, que caminham apenas na direção
z, por exemplo, a equação que descreve sua propagação
é dada por:
que
envolve derivadas parciais de segunda ordem com relação
às variáveis espaço e tempo. A função
u representa a perturbação provocada pela onda no meio,
como por exemplo, a altura do pulso na corda. Por sua vez, v é
a velocidade com que a onda caminha. Esta equação diferencial
tem como soluções possíveis quaisquer funções
que possuam o argumento descrevendo um movimento retilíneo
uniforme, dado por: z = z0
vt, ou alternativamente, z
vt = constante. Nesta última expressão,
o sinal negativo corresponde a um movimento na direção
do eixo z, enquanto que o sinal positivo descreve um movimento na
direção negativa do eixo z. Estas soluções
referem-se às ondas que se propagam sem dispersão, isto
é, o pulso caminha com velocidade constante, sem que haja distorção
no seu formato. No
Cap. 5 trataremos do caso
mais geral em que existe dispersão, a qual provoca mudanças
no formato do pulso ao se propagar.
Uma onda pode ser descrita de maneira geral como: u1
= f (z-vt) e u2 = g (z+vt), onde f e g são
funções quaisquer. Se houver no meio ondas se propagando
simultaneamente nas duas direções, a solução
geral é dada pela combinação linear:
onde
u1 e u2
representam respectivamente, pulsos caminhando nas direções
+z e -z. A combinação linear
das ondas presentes no meio, expressa pela eq. (4.2), é conhecida
como princípio da superposição e será
abordada no problema 4.1. A forma de cada pulso é estabelecida
pelas funções f e g, e depende das condições
iniciais do problema, isto é, de como se gera o pulso no meio.
Ao contrário das ondas mecânicas, as ondas eletromagnéticas,
que discutimos a seguir, não precisam de um meio material para
se propagarem.
Sergio Carlos Zilio
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