|

Estamos muito habituados a "fazer regra
de três" em situações do cotidiano. Calculamos
muito rapidamente que, se a dúzia de bananas custa R$2,40,
uma dúzia e meia custará R$3,60. Dizemos que o preço
da penca é proporcional ao número de bananas. Existem
muitas outras situações onde há proporcionalidade
entre grandezas, por exemplo, um mol de moléculas contém
6x1023 moléculas.
Uma grandeza física que é
uma proporção entre duas outras grandezas é a
densidade dos corpos homogêneos - a densidade é a razão
entre a massa e o volume do corpo. Dizer que o corpo é homogêneo
significa dizer que as propriedades de qualquer fragmento são
as mesmas do corpo todo.
Para fixar idéias nesta discussão, imagine uma usina
de Alumínio. A densidade do Al é 2,7 g/cm3
= 2,7x103 kg/m3 . A fábrica
produz, a partir de um grande corpo de Alumínio que podemos
considerar puro nesta discussão, perfis, panelas e papel de
Alumínio. Dizer que o grande corpo de Al é homogêneo,
em relação à densidade, significa dizer que a
proporção entre massa e volume é a mesma para
qualquer pedaço desse corpo. Assim, tanto para um pedaço
de papel de Alumínio quanto para um caco da panela ou um fragmento
de um trilho de cortina, a razão entre massa e volume é
r=2,7x103 kg/m3.
Podemos, portanto, sempre deduzir o volume V de um objeto de Al como
V=m/r. Quando o objeto tem Volume conhecido,
podemos deduzir sua massa m como m=Vr.
O gráfico da figura abaixo representa
essa propriedade do Alumínio metálico puro nas condições
ambientes normais.

Note a propriedade, absolutamente importante,
do gráfico da massa de Alumínio em função
do volume passar pela origem do sistema de coordenadas, identificada
pelo ponto O.
Quando lidamos com a velocidade de um objeto,
tendemos a pensar que ela representa uma proporção.
Afinal, dizer que um automóvel está correndo a 10 m/s
significa que ele corre 10 m em 1 s. No entanto, a velocidade não
é uma proporção entre a posição
e o tempo. Veja, na figuras abaixo, diferentes possíveis gráficos
da posição em função do tempo de um automóvel
com velocidade v=10m/s.
Caso você, equivocadamente, imaginasse
a velocidade como uma proporção entre posição
e tempo, deduziria que a posição do automóvel
em t=6,0s é x=60m. Vemos no gráfico acima que, exceto
na situação descrita pela linha tracejada, a posição
do automóvel em t=6,0s NÃO é x=60m.

Se a velocidade não é uma
proporção, o que ela é? Resposta: é uma
variação proporcional. Ela representa o deslocamento
- uma variação de posição - num intervalo
de tempo. Assim, a velocidade não é a proporção
entre a posição e o tempo, mas sim a proporção
entre variação de posição e "variação"
de tempo. Quando um corpo mecânico desloca-se à velocidade
constante, sua variação de posição é
proporcional ao intervalo de tempo considerado, portanto, é
uma variação proporcional.
Para pensar...
Nas situações mais simples
onde há apenas um objeto em movimento uniforme, você
pode escolher a origem do sistema de coordenadas de maneira que em
t=0s ele esteja na origem. No entanto, isso não pode ser feito
em geral, de maneira que NUNCA devemos pensar na velocidade como uma
proporção entre posição e tempo, mesmo
que isso dê certo em alguma situação muito particular.
Uma variação proporcional pode, com freqüência,
ser expressa por números negativos, o que raramente faz sentido
com proporções. Nas figuras abaixo mostramos alguns
possíveis gráficos de posição em função
do tempo para um objeto à velocidade de -5 m/s. A diferença
entre as duas figuras é devida apenas ao intervalo de tempo
considerado em cada um dos movimentos.

Descreva uma situação física
de Movimento
Uniforme onde você defina tempos negativos. Veja
que basta escolher uma origem para a coordenada tempo posterior ao
instante em que você começa a descrever a situação.
Vito Vanin
|
|