

A
maior parte das forças com que nos defrontamos no dia-a-dia pode ser
entendida a partir da compreensão da estrutura da matéria. Como a
matéria é composta por átomos (ou aglomerados deles - as moléculas),
essas forças (como a força normal, a força de atrito e a força elástica)
têm origem na interação entre os átomos que compõem os materiais.
A força entre dois átomos ou moléculas pode ser entendida a partir
do gráfico ao lado, no qual apresentamos a variação da força entre
os átomos em função da distância entre eles. Esse é um comportamento
típico.
A força interatômica é uma força, ela mesma, derivada da força eletrostática.

Dependendo
da distância de separação entre os átomos, podemos prever três situações:
DISTÂNCIAS
MUITO CURTAS
Para
distâncias menores do que a na figura, a força entre os átomos é repulsiva.

Quando tentamos aproximar partes da matéria a distâncias extremamente
curtas, essas partes se repelirão.
A força normal surge como resultado dessas forças repulsivas da matéria.
Essas forças repulsivas são responsáveis pela não-interpenetrabilidade
da matéria. Devido a elas torna-se difícil fazer um corpo sólido penetrar
em outro corpo sólido.
Numa colisão envolvendo duas bolas de bilhar, o efeito dessas forças
se faz sentir claramente. As bolas se aproximam só até um certo ponto;
a partir daí elas se repelem violentamente, fazendo com que cada uma
saia numa direção diferente.
DISTÂNCIAS
MÉDIAS
Neste
caso, a força é estritamente atrativa. Isso explica, por exemplo,
a formação dos líquidos. Ao comprimirmos um gás forçamos suas moléculas
a se aproximarem. Quando o fazemos, as forças de atração procuram
estabelecer um "bloco coeso. Essa matéria mais coesa é o líquido.
Ao tentarmos separar superfícies sólidas vamos testemunhar o efeito
da parte atrativa das mesmas. Finalmente, uma outra conseqüência dessa
força é o atrito. Ela surge como resultado da atração entre as partes
da matéria que ficam em contato.

DISTÂNCIAS
GRANDES
Em distâncias muito grandes (r >> b), as interações são desprezíveis.

Para uma certa distância, a força entre dois átomos se anula. Essa
distância indica a posição de equilíbrio (ponto a). Como se vê no
gráfico, próximo da posição de equilíbrio (mais precisamente entre
os pontos c e d), os átomos exercem forças entre si muito parecidas
com as forças elásticas da mola. Na realidade, essas forças de natureza
elástica acabam se refletindo no comportamento da matéria como um
todo.

Isso
explica o fato de que, ao aproximarmos o nosso pé da bola em alta
velocidade, algum tempo depois a bola sai em disparada. O que se observa
na prática é que a bola se achata e, como o efeito de uma mola, ao
se descomprimir, sai com velocidade, deixando o pé para trás. A "mola"
existe por causa das forças interatômicas.

Um
objeto, ao se movimentar num líquido viscoso, experimenta a ação de
uma força que se opõe ao movimento. Essa força tem a característica
de depender da velocidade da partícula. Quanto maior a velocidade
da partícula tanto maior será a intensidade da força exercida pelo
fluido viscoso.
No caso de uma esfera de raio a, Stokes demonstrou que, dentro de
uma boa aproximação, podemos escrever em módulo:

onde
é o coeficiente de viscosidade do líquido e v, a velocidade da partícula.
O sinal negativo indica que o sentido da força é oposto ao sentido
da velocidade. A direção da força é a mesma que a da velocidade.
Para
objetos com outras formas geométricas, a expressão não é tão simples.
Ainda assim, dentro de uma boa aproximação, podemos escrever:

onde
b depende da geometria do objeto, da área em contato e do coeficiente
de viscosidade do fluido.
O
aparecimento dessas forças pode ser ilustrado por meio de dois exemplos
muito simples. O primeiro é o caso de uma esfera em movimento num
líquido viscoso. Nota-se que uma esfera em queda num líquido se acelera
até um certo ponto. A partir de uma certa distância, a esfera tem
velocidade constante porque a força viscosa se equilibra com a força
peso.
O outro é o movimento de um pára-quedas. O ar é também um fluido.
O pára-quedista, a partir de um certo tempo, cai com velocidade constante.