
Para
que haja interação entre os objetos, não há necessidade de eles estarem
próximos. Podem surgir forças entre objetos mesmo que eles estejam
muito longe uns dos outros. São forças cuja ação se dá à distância.
Nesta categoria estão as forças fundamentais da natureza. Nós dizemos
fundamentais porque, na realidade, todas as demais forças podem ser
explicadas como resultado da atuação destas forças.
É como se existisse algo que faz a ligação entre os objetos: é um
campo de forças. A noção de campo traz a possibilidade de tratar,
teoricamente, de forma adequada as interações fundamentais. Por exemplo,
para descrever a ação da atração gravitacional, diz-se que existe
um campo gravitacional. A força gravitacional está relacionada teoricamente
a esse campo.
Um outro exemplo é o campo magnético. Todos já viram o efeito do campo
magnético da Terra sobre bússolas. É como se a Terra fosse um enorme
ímã, cujo campo magnético age sobre outros ímãs existentes.
Forças são grandezas vetoriais e, portanto, são definidas por módulo,
direção e sentido.
Campos, como o elétrico e o magnético, também são grandezas vetoriais.

O exemplo mais simples de força fundamental, uma vez que faz parte
do nosso cotidiano, é a força gravitacional. A queda dos objetos em
direção à superfície terrestre é devida à força gravitacional. Outro
exemplo é o movimento de translação da Terra. A Terra mantém-se numa
órbita elíptica em torno do Sol como resultado da força gravitacional
exercida pelo Sol sobre ela. A lei que rege o comportamento da interação
gravitacional foi proposta por Newton. A interação gravitacional ocorre
devido às massas dos objetos. Se dois objetos de massa m1
e m2 estiverem a uma distância d,
então surge entre eles uma força de atração (a força gravitacional)
de tal forma que seu módulo é dado pela expressão

ou
seja, a força gravitacional é diretamente proporcional às massas e
inversamente proporcional ao quadrado da distância. A constante G
é conhecida como constante da gravitação universal e seu valor é:


As forças elétricas e magnéticas são igualmente forças fundamentais.
Conquanto não estejamos em condições ainda de nos darmos conta, o
fato é que essas forças estão também presentes no cotidiano das pessoas.
Isso porque forças de atrito e reações normais às superfícies são
forças que derivam destas. Isso ocorre porque as forças entre os átomos
(forças interatômicas) é que dão origem a algumas forças com as quais
já estamos bastante familiarizados. No entanto, as forças entre os
átomos são forças elétricas. Dizemos que as forças interatômicas derivam
das forças eletromagnéticas.
FORÇA ELÉTRICA
A força elétrica surge entre objetos dotados de carga elétrica. Se
um corpo possui carga Q1 e outro
possui carga Q2, então surge uma
força entre eles, cujo módulo é dado pela lei de Coulomb:

isto é, a força é diretamente proporcional às cargas e inversamente
proporcional ao quadrado da distância. A constante de proporcionalidade
é dada por:

A força elétrica tanto pode ser atrativa (se as cargas forem de sinais
opostos) quanto repulsiva (cargas de mesmo sinal). A direção da força
é a da reta que une as duas cargas.
No caso em que a partícula se move numa região na qual existe um campo
elétrico
,
a força elétrica sobre uma partícula de carga Q é:

FORÇA MAGNÉTICA
Uma
partícula de carga q e dotada de velocidade v, quando numa região
onde existe um campo magnético
,
experimenta uma força, dita magnética, cuja expressão é:

onde
é o ângulo formado entre
e
.
A direção de
é perpendicular ao plano. O sentido definido por
e
depende da carga. Se a carga q for positiva, o sentido é o mostrado
na figura que ilustra a regra do saca-rolha. Se q for negativo, então,
a direção da força é a mesma e o sentido, oposto ao caso anterior.
Se
uma partícula estiver sujeita à ação de campos elétricos e magnéticos,
podemos escrever
.

A força forte atua no nível subatômico. Ela é responsável pela coesão
do núcleo atômico. Em última análise, proporciona a atração entre
prótons e nêutrons dentro do núcleo atômico. Assim, a força forte
é responsável pela estabilidade da matéria e a forma com que a conhecemos.
Naturalmente, ela se faz presente nas interações entre as partículas
elementares. Isso é válido especialmente em relação aos quarks, que
são os constituintes dos prótons e nêutrons.
Além da estabilidade dos núcleos e da matéria, essa força não se exibe
no cotidiano e, por isso, a descoberta dessa força só ocorreu em meados
deste século.
Em determinados estágios do processo de evolução estelar, essa força
é de fundamental importância para entender o destino das estrelas,
especialmente as mais velhas.

A
força fraca ocorre no nível das partículas elementares.
Novamente aqui cabe o comentário sobre a pouca relevância desse tipo
de força na compreensão dos fenômenos que ocorrem no cotidiano.
No entanto, no Universo no qual vivemos, essa força se manifesta com
muita freqüência. No interior das estrelas (qualquer estrela), essa
força é responsável por vários fenômenos, dentre os quais a geração
da energia que chega até nós.
Marques
e Ueta