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Imaginemos
um meio qualquer no qual está inserido uma lâmina cujas faces
são paralelas entre si. Pode-se pensar nesse arranjo como
uma associação de dois dioptros planos.
A
lâmina de faces paralelas é um dispositivo muito útil, pois
ele permite fazer com que a luz seja desviada sem, no entanto,
alterar sua direção de propagação. Há apenas um desvio lateral.
Na
lâmina de faces paralelas (uma lâmina de vidro dentro da água
ou do ar) ocorrem duas refrações. Uma primeira refração,
numa das superfícies planas (quando a luz entra na lâmina)
e uma segunda refração na segunda superfície (quando a luz
sai da lâmina). |
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Se
o ângulo de incidência for
então a relação entre os ângulos de incidência
e de refração
será, pela Lei de Snell-Descartes,
.
O
resultado da primeira refração é pois o de desviar a luz.
Na
segunda refração, o ângulo de incidência passa a ser
. Utilizando pois, de novo, a lei de Snell-Descartes teremos
onde
é o ângulo de refração na segunda superfície.
Olhando
para as duas expressões anteriores concluímos que
.

A
conclusão, portanto, é que o efeito das duas refrações é desviar a
luz de tal forma que os raios emergentes saiam paralelamente à direção
de incidência. Não houve, portanto, desvio angular. Haverá, no entanto,
um desvio lateral. O desvio lateral é medido pela distância entre
as retas contendo os raios incidentes e o raio emergente. Para determinarmos
o desvio lateral d, basta considerarmos o triângulo
da figura acima.
Pode-se
concluir que
.
Considerando-se
agora o triângulo
temos que
lembrando
que
é a espessura da lâmina (aqui representada por e). Temos,
a partir das duas relações anteriores, que
ou
seja, o deslocamento lateral d pode ser previsto conhecendo-se os
ângulos de incidência, de refração e a espessura da lâmina. Quanto
mais espessa for a lâmina, maior será o desvio lateral.
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