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Sendo a luz constituída dessas partículas diminutas,
podemos nos perguntar por que só neste século nos
demos conta disso? O homem conhece a luz e seus efeitos desde priscas
eras. A luz é o fenômeno primeiro. Nós nos damos
conta da sua existência já ao nascer. Além disso,
ela participa, em vários estágios do ciclo da vida.
É claro que ela despertava a curiosidade dos antigos. A formação
de sombras e penumbras ocorre no dia-a-dia de todos os seres humanos.
Os eclipses já eram utilizados alguns séculos antes
de Cristo como um meio de determinar a distância da Terra
até a Lua. Tales de Mileto, seis séculos antes de
Cristo, já aprendera o método de triangulação
para medir distâncias, inferindo a altura da Pirâmide
de Gizé a partir da sombra projetada no solo pela pirâmide.
Erastótenes utilizou a sombra de uma haste fincada no solo
(um gnomo) para determinar o raio da Terra.
As sombras e penumbras podem ser explicadas pelo Princípio
da Propagação Retilínea da Luz. Princípio
esse já enunciado pelos gregos e aparece na obra de Euclides
(300 a.C.)
Outros fenômenos associados à luz, como a reflexão
e a refração, já eram conhecidos na Antigüidade.
Fala-se muito em instrumentos utilizados com muita engenhosidade
por Arquimedes na defesa de Siracusa. Dentre eles estavam alguns
espelhos para provocar confusão nas hostes inimigas (os romanos).
A suspeita de que a luz tinha velocidade finita começou provavelmente
com Galileu. Na época de Newton, ele já tinha conhecimento
da determinação da sua velocidade feita por Roemer.
De acordo com ele, a luz levaria sete minutos para passar do Sol
à Terra.
Esses fatos, bem como outros, poderiam ser explicados se a luz fosse
composta por partículas. Por isso, Newton elaborou uma teoria
para a luz, cujo ponto básico é a sua constituição
por corpúsculos de luz. O livro de Newton começa definindo:
Por raios de luz entendo as partes mínimas da luz e as que
tanto são sucessivas nas mesmas linhas como simultâneas
em várias linhas.
Newton se interessou pela óptica antes que pela mecânica.
Publicou seu primeiro trabalho em óptica aos 29 anos. Preocupou-se
com um fenômeno que naquela época era célebre:
o fenômeno das cores. Esse fenômeno, objeto do trabalho
de decomposição da luz em diversas cores ao passar
por um prisma, já fora detalhadamente descrito por ele aos
23 anos, em 1666. No seu livro "Óptica" Newton
afirma que "é evidente que a luz consiste em partes"
e se utiliza de termos como "corpos minúsculos"
e "partículas de luz".
Muitos físicos, de valor excepcional, se opuseram à
teoria de Newton. Dentre eles, Robert Hooke e Christiaan Huyghens.
A idéia dominante era a de que a luz era a pressão
ou o movimento de alguma perturbação que atravessa
um determinado meio. Muito próximo, portanto, do que hoje
denominamos de ondas.
A idéia da teoria corpuscular da luz prevaleceu (a despeito
da oposição) durante o século XVII. Em parte
graças ao prestígio de Newton e em parte por falta
de evidências contrárias à teoria de Newton.
A teoria de Newton sofreu, no entanto, um grande abalo com os trabalhos
de Young e Fresnel a respeito do fenômeno da interferência
da luz. A teoria de Newton não é compatível
com esse fenômeno.
Podemos ilustrar essa questão imaginando um dispositivo que
contém duas fendas (elas estão a uma certa distância
uma da outra) com um anteparo a uma certa distância delas.
Podemos fazer três experiências. Em cada uma delas enviamos
um feixe de partículas.
a) Manter a fenda inferior fechada.
b) Manter a fenda superior fechada.
c) Manter as duas fendas abertas.
O
resultado de Young e Fresnel mostrava que a luz exibia interferências.
As ondas, ao se superporem (com as duas fendas abertas), podem produzir
máximos (quando ocorre interferência construtiva) ou
mínimos (interferência dita destrutiva). As experiências
de Young e Fresnel levaram à Teoria Ondulatória da
Luz. A luz seria constituída por vibrações
(oscilações de campos elétricos e magnéticos,
como se viu depois) transversais à direção
de propagação.
A partir dos trabalhos de Young e Fresnel, a teoria de Newton caiu
no esquecimento. Foi de outra forma retomada depois do trabalho
pioneiro de Einstein, em ( ), sobre o efeito fotoelétrico.
Esse efeito pode ser resumido assim. Podemos arrancar elétrons
de uma placa se fizermos incidir luz sobre ela. Essa é a
origem do nome "fotoelétrico". Sabemos que, para
arrancar um elétron, devemos despender uma certa quantidade
de energia, pois os elétrons estão presos (ligados)
à placa.
Se a luz não fosse constituída por corpúsculos,
haveria a necessidade de um intervalo de tempo entre a luz incidir
e o elétron sair. Isso porque se acreditava na necessidade
de o elétron acumular energia vinda da radiação
luminosa. Ademais, qualquer onda eletromagnética serviria
(dizemos de qualquer comprimento de onda). Algumas seriam apenas
mais eficientes do que outras. Isto é, arrancariam em menor
tempo do que outras.
Duas surpresas ocorreram. A primeira é a de que só
radiação com uma freqüência acima de um
certo valor podia arrancar elétrons. E a segunda é
a de que, para essa radiação, não havia a necessidade
de se esperar nada. Einstein então, em 1905, interpretou,
corretamente, que o efeito fotoelétrico com essas características
só poderia ser explicado se a luz fosse composta por partículas
(denominadas por ele de quanta de luz), denominadas hoje de fótons.
Os fótons observados deram razão a Einstein. Desde
então as evidências têm-se acumulado em favor
da teoria corpuscular da luz, que é a teoria vigente.
Como todas as partículas, os fótons exibem uma natureza
dualística: onda e partícula. Os fótons em
alguns fenômenos exibem mais claramente a natureza ondulatória
(como na interferência de Young) e em outros se torna mais
evidente a natureza de partículas (como no efeito fotoelétrico).
Hoje, com o dualismo onda-matéria podemos conciliar a idéia
de Newton com os resultados de Young e de Fresnel.
A confirmação inequívoca de que a luz exibe
a natureza corpuscular veio com a descoberta, em 1923, do efeito
Compton (em homenagem ao seu descobridor, Arthur Compton). Nesse
efeito, o fóton exibe um comportamento típico de bola
de bilhar. Isto é, a colisão entre o fóton
e um elétron obedece às regras de colisão entre
partículas.
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