
Desde
a Antigüidade tem havido interesse em se desvendar os mistérios
do Universo em que vivemos. A necessidade de escolher a melhor época
para o plantio e a colheita de alimentos fomentou a observação
de astros e estrelas, a fim de desvendar o mistério dos fenômenos
cíclicos naturais. Assim floresceu a Astronomia desde a Antigüidade.
Ao longo do tempo foram se sucedendo teorias para explicar o dia e
a noite, as estações do ano e a própria concepção
do Universo.

Em particular, o sistema solar foi interpretado de diversas formas
até chegar às leis de Kepler, que descrevem satisfatoriamente
o movimento dos planetas:
1ª
lei de Kepler: Qualquer planeta gira em torno do Sol, descrevendo
uma órbita elíptica, da qual o Sol ocupa um dos
focos. |
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2ª
lei de Kepler: A reta que une um planeta ao Sol "varre"
áreas iguais em tempos iguais. |
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3ª
lei de Kepler: Os quadrados dos períodos de revolução
dos planetas são proporcionais aos cubos dos raios de suas
órbitas.
Newton tinha conhecimento das leis de Kepler de um lado e, de outro,
da ação da gravidade da Terra. A sua famosa percepção
o fez intuir a existência de uma força que atrai os objetos
para o solo, ao analisar a queda de uma maçã. A observação
do movimento dos planetas ao redor do Sol o levou a atribuir a existência
de uma força atrativa centrada no Sol. Se não houvesse
essa força, o planeta iria em linha reta, tangente à
órbita. Assim, Newton unificou a interpretação
dos dois fenômenos: A atração exercida pelo
Sol sobre a Terra é da mesma natureza que a da Terra sobre
um objeto como a maçã.
Newton mostrou que as leis de Kepler são coerentes com uma
força de atração gravitacional que depende diretamente
das massas dos objetos que se atraem e inversamente proporcional ao
quadrado da distância entre os centros dos mesmos. Ele mostrou
também que, para calcular a força de gravidade sobre
um objeto na superfície da Terra, podemos admitir que toda
a massa da Terra está concentrada no seu centro. Usou cálculo
integral, que ele próprio inventou, para justificar tal hipótese.
Na verdade, essa aproximação é válida
apenas para forças que dependem do inverso do quadrado da distância.
Com a unificação, Newton chegou à lei da gravitação
universal, aqui resumida pela relação que dá
o módulo da força de atração mútua
entre dois corpos:

onde
G é uma constante universal,
m e M são as massas de dois corpos quaisquer em questão
e
r é a distância entre os centros dos dois corpos.
O
valor de G é
A
direção da força é a da reta que une os
centros dos dois corpos e o sentido é o de atração
mútua, como na figura ao lado.

As leis de Newton são absolutamente válidas no sistema
solar. Até em estrelas duplas pode-se observar a atração
que uma estrela exerce sobre a outra. Observe a fotografia de um aglomerado
estelar globular e o interessante comentário de Feynman (prêmio
Nobel de Física): "Que a lei da gravitação
é verdadeira até em distâncias maiores está
indicado na figura abaixo. Se alguém não enxerga a gravitação
agindo aqui, ele não tem alma. Esta figura mostra uma das coisas
mais bonitas no céu, um aglomerado estelar globular. Todos
os pontos são estrelas."
Se as massas se atraem pela gravitação, então
por que não andamos trombando uns contra os outros? Pode-se
mostrar, por exemplo, que a interação gravitacional
é muitíssimo mais fraca que a elétrica, comparando-se
a força de repulsão elétrica entre dois elétrons
com a força de atração gravitacional entre eles.
Os elétrons se repelem violentamente.
Marques
e Ueta