
Existem
duas formas de se pensar a questão da composição
de movimento.
Na primeira forma, o movimento de um objeto é pensado como
resultante de dois movimentos tais como, por exemplo, quando dois
sistemas de coordenadas estão em movimento relativo. Um primeiro
movimento refere-se ao deslocamento de um objeto observado num determinado
sistema de referência. O segundo movimento é aquele associado
ao deslocamento desse sistema de coordenadas. Por exemplo, em alguns
carrosséis de parques de diversão, os cavalos sobem
e descem num eixo vertical. Por outro lado, o carrossel gira em relação
ao parque. Num referencial fixo no carrossel, o cavalo realiza um
movimento retilíneo, ora em uma direção ora na
direção oposta. O carrossel realiza um movimento circular
e uniforme com relação a um referencial fixo no parque
de diversões. Neste referencial fixo no parque, um ponto do
cavalo realiza um movimento semelhante a uma senóide numa superfície
vertical, mas que se fecha como num cilindro.
Uma segunda forma de se pensar a composição de movimentos
(aqui é melhor falar em decomposição de movimentos)
é pensar o movimento de um objeto como resultante de dois ou
três outros movimentos retilíneos ao longo de eixos ortogonais.
Por exemplo, no estudo do lançamento de projéteis, Galileu
introduziu a decomposição do movimento em duas componentes,
uma horizontal e uma vertical. Dois movimentos, descritos de uma forma
simples em dois eixos ortogonais, podem reproduzir um comportamento
relativamente complexo. A decomposição de movimentos
é, assim, um artifício para equacionar alguns problemas
em duas (no plano) ou três (no espaço) dimensões
em termos de equações de uma dimensão em função
do tempo.
Marques e Ueta